Regularização de Cosméticos Naturais: Como Operar Conforme as Diretrizes para entrar nesse Mercado

by Renata Franco

1. Verde é a Nova Tendência: O Crescimento do Setor e sua Regulamentação

regularizacao cosmeticos naturais anvisa

O mercado de cosméticos naturais tem sido um refúgio para consumidores que buscam alternativas mais saudáveis e sustentáveis. No entanto, navegar neste mercado exige não apenas paixão, mas também um profundo conhecimento das regulamentações que o cercam. 

A ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estabelece diretrizes que todo empreendedor deste segmento deve conhecer. Embora isso possa parecer uma tarefa árdua, estar bem informado e em conformidade é o que diferenciará e protegerá sua marca.

Além disso, compreender e atender às regulamentações reforça a integridade da marca e cria uma relação de confiança com o consumidor.

2. Do Básico ao Específico: Entendendo os Níveis de Classificação em Cosméticos

A ANVISA classifica os cosméticos em dois grandes grupos: Grau 1 e Grau 2. Os produtos de Grau 1, geralmente, têm finalidade de limpeza, perfumação e alteração do aspecto. Eles possuem formulações mais simples e, portanto, têm menor risco associado. 

Já os produtos de Grau 2 são aqueles que prometem alguma ação específica no organismo, como os protetores solares ou antienvelhecimento. Estes têm formulações mais complexas.

O caminho para a regularização varia para cada categoria. Produtos de “Risco 1” (Grau 1) apenas precisam ser notificados à ANVISA, um processo mais simplificado. Entretanto, produtos de “Risco 2” (Grau 2) exigem um registro mais aprofundado, dado o potencial de risco. 

Exemplos de cosméticos grau 1 e grau 2:

A ANVISA divide os produtos cosméticos em dois graus, com base no risco potencial ao usuário:

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Cosméticos Grau 1:Eles são destinados à limpeza, hidratação e proteção, sem a promessa de atividade no organismo a um nível mais profundo.

  • Sabonetes (líquidos e em barra)
  • Shampoos e condicionadores
  • Loções hidratantes
  • Perfumes
  • Desodorantes (aqueles que não prometem redução da transpiração)
  • Produtos de maquiagem que não prometam benefícios além da coloração (como batons, sombras, esmaltes que não prometem fortalecimento das unhas, etc.)
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Cosméticos Grau 2: São produtos que, além de sua função estética básica, prometem algum benefício ou atividade específica no organismo, requerendo estudos de comprovação de eficácia e segurança.

  • Protetores solares
  • Antitranspirantes (aqueles que prometem diminuição da transpiração)
  • Produtos para tratamento de acne
  • Produtos antienvelhecimento ou anti-idade
  • Cremes clareadores de manchas de pele
  • Tratamentos anticaspa para o couro cabeludo
  • Esmaltes que prometem fortalecimento das unhas
  • Loções e cremes que prometem combate à celulite
  • Em ambos os casos, é crucial garantir que todos os ingredientes usados estejam em conformidade com as diretrizes da ANVISA. 

3. Conquistando a Confiança: Certificações e Diferenciação no Mercado

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  • O mundo dos cosméticos naturais não se resume apenas a criar produtos, mas também a construir confiança. E uma das formas mais eficazes de fazer isso é através de certificações. Uma certificação, como a de cosmético natural, não é apenas um selo em uma embalagem, mas uma promessa de que os produtos são criteriosamente formulados.

  • Além da confiança, essas certificações podem ser uma ferramenta poderosa de marketing, diferenciando sua marca nesse mercado. Consumidores conscientes costumam buscar esses selos para reforçar suas decisões de compra, tornando-os um investimento valioso.

4. O Elo Indispensável: O Responsável Técnico na Cosmética Natural

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A ANVISA, consciente do impacto dos cosméticos na saúde dos consumidores, exige que cada empresa no setor tenha um RT, geralmente com formação em Química, Engenharia Química ou Farmácia, para garantir que os produtos estejam em conformidade com as regulamentações e padrões de segurança.

No entanto, é essencial destacar que ter uma marca não implica necessariamente ser um especialista técnico. Muitos fundadores de marcas de sucesso não têm uma formação técnica, mas contratam ou colaboram com um RT para cumprir esta função crucial. 

Estas marcas ilustram que empreendedores com visão, paixão e dedicação podem criar marcas de sucesso, independentemente de terem ou não uma formação técnica específica no início:

Mary Kay Ash: A fundadora da Mary Kay Cosmetics, uma gigante da indústria de beleza, começou sua jornada em vendas diretas. Com uma visão e determinação, ela construiu um império de cosméticos sem ter formação técnica no campo.

Lush: Enquanto alguns dos fundadores da Lush tinham experiência em cosméticos e até em terapia capilar, não todos tinham formação técnica em química. A marca foi construída com base em princípios de produtos frescos e naturais e cresceu exponencialmente, tornando-se globalmente reconhecida.

Natura: Uma das gigantes brasileiras no mundo dos cosméticos, a Natura foi fundada por Luiz Seabra, que originalmente era economista. Ele começou como distribuidor de produtos cosméticos e, posteriormente, com a visão de criar o próprios produtos, fundou a Natura.

Para empreendedores que estão entrando no mercado, não se desanimem se não tiverem a formação técnica. Estudar cosmetologia será imprescindível para o seu negócio e não requer conhecimento técnico prévio. Você vai entender muito do seu produto, reconhecer as próprias competências e refinar o seu olhar para as áreas da sua empresa. Caso você não opte pela terceirização da sua produção, você contará com outros profissionais nas diversas áreas incluindo o RT e, assim, será capaz de construir uma marca sólida e confiável no mundo dos cosméticos naturais.

5. Passo a Passo para Regularizar sua Marca de Cosméticos: Navegando pelas Exigências da ANVISA

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Informe-se: Comece por conhecer a legislação. A ANVISA é a autoridade nesse campo e disponibiliza, em seu site, todas as regulamentações pertinentes para comercializar cosméticos no Brasil.

No Programa Cosmetologia Do Bem, os alunos têm a chance de aprofundar-se nesse tema no módulo “Mercado de Cosméticos”. Flora Machado, química e engenheira química com mestrado pela Universidade Federal do Espírito Santo, é a expert que guia as aulas. Com vasta experiência como formuladora, ela transmite seu conhecimento técnico e prático em cosmetologia, garantindo que os alunos estejam preparados para todas as etapas da jornada em cosméticos. Seu aprendizado com Flora será um grande diferencial na sua trajetória!

 Caso sua produção seja terceirizada, a fábrica terceirista é a responsável por esses itens destacados aqui.

Classificação do Produto: Estabeleça se o seu produto é um cosmético de Grau 1 ou Grau 2. Cada tipo tem seus requisitos de segurança e eficácia.

De acordo com a classificação e propósito do seu produto, você pode precisar registrá-lo ou apenas notificá-lo. Produtos de Grau 2, em geral, necessitam de registro.

Responsável Técnico: É essencial contratar um Responsável Técnico (RT) com formação adequada, que vai assegurar que os padrões de qualidade e segurança sejam rigorosamente cumpridos.

Avaliação de Segurança: Garanta que seus produtos passem por uma avaliação rigorosa de segurança. Isto pode incluir testes para verificar se causam irritação, reações alérgicas, entre outros.

Rotulagem: Conforme as diretrizes da ANVISA, o rótulo do produto deve ser claro e informar sobre os ingredientes, modo de uso, possíveis precauções, detalhes do fabricante e outras informações essenciais.

Licença de Funcionamento: Procure a Licença de Funcionamento Local (AFE) na Vigilância Sanitária do seu município ou estado. Com essa licença em mãos, sua empresa está legalmente autorizada a operar.

Terceirização da Produção: Se produzir internamente não for viável, considere terceirizar a fabricação. No entanto, antes de fazer isso, também é vital ter um conhecimento sólido em cosmetologia. Entender a ciência por trás dos produtos permite que você colabore efetivamente com fabricantes terceirizados e garanta que seus produtos sejam de alta qualidade e segurança.

Mantenha-se Atualizado: As regulamentações podem mudar, então faça revisões periódicas para garantir a conformidade contínua de sua marca.

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